CAPÍTULO 04 - 1967, DE CASA PARA A ESCOLA, DA ESCOLA PRA RUA - Biografia de Manuel Romário Saldanha Neto.
CAPÍTULO 04 - 1967, DE CASA PARA A ESCOLA, DA ESCOLA PRA RUA - Biografia de Manuel Romário Saldanha Neto.
Endereço novo, Rua do Ouro, 1344, Bairro Serra, Belo Horizonte, 1967.
O Caderninho
Erasmo Carlos, 1967
Eu queria ser o seu caderninho
Pra poder ficar juntinho de você
Inclusive na escola
Eu iria com você entrar
E na volta juntinho ao seu corpo
Eu iria ficar
E em casa então, você me abriria
Para me estudar, e se assustaria
Ao ver revelado em seu caderninho o meu rosto
Lhe olhando dizendo baixinho
Benzinho, eu não posso viver longe você
O tradicional Grupo Escolar Afonso Pena, Belo Horizonte, 1967.
O prédio da Escola Estadual Afonso Pena, na Avenida João Pinheiro, na Região Centro-Sul, tem a idade de Belo Horizonte. Inaugurada em 1897, a unidade apresenta arquitetura semelhante à das primeiras construções da capital. Em 1906, o prédio passou por adequações para instalação de um estabelecimento de ensino. Em janeiro de 1914, recebeu a denominação de Grupo Escolar Afonso Pena. Uma casa na esquina da Rua Aimorés foi adquirida da família do político Afonso Pena (1847-1906) pelo governo do estado, em 1926, para ampliar a escola.
Foi escolhido para Patrono do estabelecimento o Conselheiro Dr. Afonso Pena, proprietário de uma das casas onde até hoje funciona a escola. Aos seus 105 anos de existência a E.E. Afonso Pena passou por várias administrações, sendo sua primeira diretora a Sra. Maria Salomé Pena que queria que a escola fosse um referencial para a classe rica de Belo Horizonte, devido à qualidade de ensino e a sua localização privilegiada, junto ao corredor do poder político da capital, e central.
A escola recebeu assim filhos de famílias tradicionais que se tornaram ilustres como: Dr. Aluisio Clemente Lima e Dr. Gilberto Clemente Faria, diretores do Banco da Lavoura, Dr. José Sete Câmara, Dr. Elos Melo Viana, Dr. Aureliano Pires de Albuquerque, Dr. Abgard Renaut, Pedro de Castro Silvio Barbosa, Dr. Luis Adelmo Lodi, Oto Barcelos Corrêa, Dr. Abílio Machado, Fernando Sabino, Guimarães Rosa, dentre outros.
Apesar de estudar o pré primário e o ensino fundamental I no Grupo Escolar Afonso Pena, quem mais cuidava de minha alfabetização era minha mãe, já que era professora, e sempre me corrigia a escrita, quando escrevia o nome da escola como “Afosio” Pena.
1967, O Grupo Escolar Afonso Pena, já vivia a decadência das escolas públicas, agravada pelo crescimento e incentivo às escolas particulares, privadas e católicas, pela política militar de abandono do público em favor do privado (modelo americano).
O público da escola já não eram mais as famílias ricas e tradicionais da cidade. O colégio era um mix de classes, entre classe média e pobres. A escola pública começava a se tornar escola para pobres.
A Diretora da Escola Dona Adélia Resek Braga, era a grande mãe da Escola, pessoa muito boa, que junto à imagem de Nossa Senhora, no centro do prédio protegia à todos.
A lembrança mais forte desta época que vai até 1972, foi o pedido que minha mãe fez à merendeira Dona Durvalina, preta, velha, gorda. Dentro de uma solidariedade de classe e raça, minha mãe pediu que ela cuidasse dos filhos dela na Escola.
Dessa forma, durante a merenda, Durvalina, sempre enchia nosso prato de comida, já que não levávamos as famosas merendeiras com os deliciosos lanchinhos dos riquinhos brancos.
Precisamos falar dos Afetos: as pessoas, tem diversas formas de estar no mundo, são as várias formas da inteligência. Cada pessoa possui aéreas do conhecimento com as quais possuem mais facilidade.
É graças a essa diversidade de inteligências que os seres humanos conseguiram evoluir grandiosamente em múltiplas áreas e beneficiar a sociedade como um todo.
Sérgio Reis coração de papel, 1967.
O psicólogo americano Howard Gardner apresentou a Teoria das Múltiplas Inteligências em seu livro “Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences”.
Segundo a teoria, existem 7 tipos diferentes de inteligência, cada uma com características próprias e iguais em importância: lógico-matemática, linguística, visual-espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal.
Posteriormente, o psicólogo adicionou duas novas modalidades ao rol: a inteligência naturalista e a inteligência existencial, eu acrescento a inteligência que me guia, a inteligência emocional.
O afeto, ou afeição, permite ao ser humano demonstrar os seus sentimentos e emoções a outro ser ou objetos. Pode também ser considerado o laço criado entre humanos e natureza, que, mesmo sem características sexuais, continua a ter uma parte de "amizade" mais aprofundada.
Em psicologia, o termo afetividade é utilizado para designar a suscetibilidade que o ser humano experimenta perante determinadas alterações que acontecem no mundo exterior ou em si próprio.
Tem por constituinte fundamental um processo cambiante no âmbito das vivências do sujeito, em sua qualidade de experiências agradáveis ou desagradáveis, ligadas ao coração e sentimentos. È assim que vejo o mundo, à partir dos afetos.
Culturalmente em 1967, estávamos no movimento da jovem guarda, e pelas ondas dos rádios e vozes ouvia a canção afetiva:
Coração de Papel
Sérgio Reis, 1967.
Se você pensa
Que meu coração é de papel
Não vá pensando, pois não é
Ele é igualzinho ao seu
E sofre como eu
Por que fazer chorar assim
A quem lhe ama
Se você pensa
Em fazer chorar a quem lhe quer
A quem só pensa em você
Um dia sentirá
Que amar é bom demais
Não jogue amor ao léu
Meu coração que não é de papel
Por que fazer chorar
Por que fazer sofrer
Um coração que só lhe quer
O amor é lindo eu sei
E todo eu lhe dei
Você não quis, jogou ao léu
Meu coração que não é de papel
Sempre fui uma criança afetiva, e emocional. Naturalmente, os sentimentos começam da nossa relação com o que sentimos com o mundo à nossa volta.
No momento, dos 7 anos vivia 3 crises emocionais: O fim do relacionamento amoroso com minha irmã; a clara percepção que minha mãe não era só minha, ou era pouco minha, e por fim a percepção da crise conjugal de meus pais, que estavam se separando. Me lembrei também que tinha um crush com o filho da Dona da casa que alugamos, Vitório. Isso tudo aos 7 anos.
Desta época me lembro de Viganó, um garoto também de descendência italiana e seus muitos irmãos, mas eram apenas amigos.
Sinais de separação dos pais. Todo vulcão quando vai entrar em erupção dá seus sinais. Um belo dia de 1968. Meu pai entra em nossa nova casa com um disco novo: “A Primeira Noite de um Homem”. Aquele era um dos sinais da separação entre meu meu pai e mãe. Já no primeiro endereço de Belo Horizonte, via minha mãe reclamar da vida boemia de meu pai e suas noites fora de casa.
A Primeira Noite de um Homem, lançamento Brasil, 1968. Mal sabia eu, que este simples disco, era um sinal claro que o casamento de meus pais estavam com os dias contados.
Precisamos falar sobre Xenofobia: preconceito contra Nordestinos no sul do Brasil, racismo e outros preconceitos dos anos 60.
Súplica Cearense - Ary Lobo, 1966.
Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará
Minha família, predominantemente de nordestinos, chega ao sudeste, além de nordestinos eramos mulatos ou negros. Dentro dos padrões da tradicional família mineira, branca, classe média, católica, minha família era um ponto fora da curva: negros e nordestinos.
Não exatamente que fossemos retirantes da seca e da fome do nordeste, mas eramos retirantes do subdesenvolvimento da região. E como retirantes fomos tratados, dentro do espectro do preconceito de Xenofobia, regional ou preconceito contra Nordestinos.
Apesar de existir um senso comum de que o nosso país é cordial, a verdade é que não é. Havia a xenofobia contra os nordestinos, os xenofóbicos não fazem a menor questão de esconder seus preconceitos.
A xenofobia é um medo incontrolável do desconhecido. Ela pode ser caracterizada como um preconceito ou como um transtorno psiquiátrico.
Depende muito do contexto em que ela estiver sendo utilizada, no caso de nós nordestinos, é uma forma de preconceito e racismo. Não é tão difícil encontrar brasileiros que acreditam que os habitantes do nordeste são uma sub raça ou, em última análise, um povo miserável sob todos os aspectos.
Muito difícil falar sobre as terríveis sentimentos e consequências de ser tratado como um cidadão de segunda categoria, ou inferior. Para uma criança é muito pior.
Abreviando muito a história, percebendo o preconceito contra nordestinos, a primeira coisa que busquei fazer foi desconstruir meu sotaque. Comecei a falar como os mineiros, uai, ou pelo menos tentei.
No interior da família, continuamos a cultivar as tradições nordestinas, mas era apenas um culto familiar, precisávamos nos adaptar à sociedade mineira.
Para se adaptar à sociedade mineira, minha família nordestina tinha que se “mineirizar”. Os anos passavam, e eu embranquecia, falava como mineiro, alisava os cabelos, e tentava manter o padrão de classe média.
XENOFOBIA E POLÍTICA – QUANDO MINAS GERAIS FOI GOVERNADA POR UM NORDESTINO.
Um caso famoso da xenofobia, contra nordestinos no sudeste brasileiro se deu no período histórico da ditadura militar, em 1979. Tratou-se a eleição indireta de Francelino Pereira, piauiense, como governador do poderoso estado de Minas Gerais, pelos militares.
Francelino Pereira dos Santos (Amarante 2 de julho de 1921 - Belo Horizonte, 21 de dezembro de 2017) foi um político brasileiro, foi governador de Minas Gerais de 15 de março de 1979 até 15 de março de 1983, eleito de forma indireta pela ditadura brasileira. A ditadura militar brasileira foi o regime instaurado no Brasil em 1 de abril de 1964 e que durou até 15 de março de 1985, sob comando de sucessivos governos militares.
Francelino, na época do regime militar era figura com grande atuação junto a mídia na defesa de seu partido a ARENA. Entende-se que devido a sua atuação foi indicado pela ARENA para ser governador de Minas em vez de um político do estado.
A sua indicação ao governo de Minas Gerais foi uma surpresa, pois não era um político daquele estado. A sua indicação foi entendida como uma maneira de enfraquecer o crescente poder dos políticos do estado. Apesar desta surpresa, Francelino obteve os votos necessários da eleição indireta para ser governador.
A xenofobia contra nordestinos pesou mais nas criticas ao governo de Francelino, do que o fato de ele ser um indicado pela ditadura brasileira. Em outras palavras, era mais aceitável ter um regime ditatorial do que ser governado por um nordestino. Isto é o que se chama xenofobia explícita.
Ser de uma família nordestina, no Estado de Minas Gerais, na década de 60, 70, foi uma verdadeira tortura. A sociedade nos chamava de pau de arara, ou seja, um povo miserável, fugido de seca e da pobreza, que em nada vinha contribuir para o desenvolvimento do sul e sudeste do Brasil.
Para não ser discriminado, também, por ser nordestino, além de preto, pobre e bicha, tratei logo de apagar meu sotaque nordestino, tentando me disfarçar entre os mineiros. Mais tarde nos anos 90 me mudei para Recife, ai já não tinha mais o sotaque nordestino. Enfim, hoje , minha fala , é um lugar sem fala, não é do nordeste, nem é de Minas Gerais. Minha fala se tornou um não lugar.
O termo "Pau de Arara" designa uma vara utilizada no interior do país para o transporte de araras, papagaios e outros pássaros.[1] Segundo o folclorista Câmara Cascudo, o termo migrou para designar o meio de transporte improvisado em razão da algazarra feita pelas aves, similar à dos passageiros que usam tal veículo, em precário arranjo, promiscuidade e desasseio.
Os paus de arara foram bastante utilizados durante o êxodo de nordestinos para o sul do país, normalmente o estado de São Paulo – ganhando também, entre os sulistas, as acepções do passageiro destes veículos e, de forma xenófoba pejorativa, a todo nordestino.
construção de Brasília por nordestinos, anos 50\60.
Por fim, ser nordestino, no Estado de Minas Gerais, virou para mim, um culto particular e familiar. Longe dos olhares xenófobos sulistas, cultivava no meu interior, e da privacidade da família os valores nordestinos.
Manera Fru Fru, Manera: O Último Pau de Arara, Fagner, 1973.
Manera Fru Fru Manera ou O Último Pau de Arara é o primeiro álbum de estúdio gravado pelo cantor, compositor e instrumentista cearense Raimundo Fagner, lançado e distribuído no ano de 1973 pela gravadora Polygram (atual Universal Music). O disco é um dos primeiros da 'invasão nordestina' na música brasileira. O disco conta com a participação de artistas já consagrados como Nara Leão e Naná Vasconcelos.
ÚLTIMO PAU DE ARARA (Venâncio / Corumba / José Guimarães), 1956.
A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura tem de montão
Tomara que chova logo
Tomara meu deus tomara
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Eu vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros cantos não para
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura tem de porção
Tomara que chova logo
Tomara meu Deus tomara
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Eu vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros cantos não para
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
Só deixo meu cariri
No último pau-de-arara
Veja a parte da poesia que foi censurada em pleno regime democrático do governo de Juscelino Kubitschek.
" Não adianta ir embora,
pra São Paulo ou Guanabara, (*)
o patrão que aqui me explora,
me arranca os olhos da cara,
é o mesmo patrão de lá,
e o Deus de lá é o daqui,
só deixo meu Cariri,
no último pau de arara".
(*)- Antigo estado brasileiro, hoje Rio de Janeiro.
Fonte: Colaboração de Benedito Morais de Carvalho
Claro que Juscelino tinha razão de censurar esta parte da música, porque o governo dele, foi um dos que mais explorou a mão de obra barata dos nordestinos expulsos de suas terras pelo grande latifúndio e política elitista local.
Novo preconceito: Pais separados\desquitados. Agora vivenciava o preconceito de ser filho de pais DESQUITADOS. Voltando à separação de meus pais, minha mãe era a famosa mulher desquitada dos anos 60, um verdadeiro sinônimo de puta, mulher fácil, ou ameça às famílias constituídas.
1968, Belo Horizonte, de repente um filho sem pai, uma família separada.
Desquite é um termo do direito que era usado para designar as separações matrimoniais antes da instituição do divórcio. Equivale à atual separação, na qual ocorre a separação dos cônjuges e de seus bens, mas não ocorre a dissolução do vínculo matrimonial.
Aos maridos e mulheres infelizes só restava o desquite — que encerrava a sociedade conjugal, com a separação de corpos e de bens, mas não anulava o vínculo matrimonial. Os desquitados não podiam se casar outra vez e eventuais novas uniões eram ilegais do ponto de vista da Justiça.
Em princípio, não me preocupei, nem importei com a separação de meus pais, até achei bom, porque agora, vislumbrava que o desejo edipiano de ter a mãe só para mim, se aproximava. Posteriormente, na adolescência vieram as consequências mais duras da separação: alterações emocionais, depressão, ansiedade, e problemas comportamentais.
Se à nível psicológico gostei da separação de meus pais, socialmente entrava para uma nova categoria de párias: as famílias separadas e os filhos de famílias desquitadas. A sociedade não perdoava essa categoria, e gente se sentia muito mal, diante de tanto preconceito e exclusão.
Lp - Paul Mauriat - A Grande Orquestra Nº2 – 1967. Trilha sonora da separação de meus pais, com especial foco nas músicas: Love me ,
Please Love Me e Un Homme et une Femme.
Ouvindo este disco, com 7 anos não compreendia bem o que se passava no âmbito familiar, mas na adolescência e juventude desenvolvi uma obsessão pelo tema “Un Homme et une Femme”, uma história de um casamento destruído, com toda sua carga emocional, trágica e existencial.
Também, a partir deste disco se abria para mim o gosto pela estilo Bossa Nova, na cultura, com suas canções de amor, falando de dores e amores, em um estilo de samba mais contido e intimista. Com certeza, desenvolvido a partir da observação da separação silenciosa, e depressiva de meus pais.
Ray Conniff, World of Hits (1967). Paul Mauriat e Ray Conniff, duas referências musicais, de música de alto consumo, produtos da industria cultural, que de certo ponto, iam de encontro aos gostos da classe média dos anos 60.
Em 1968, era muito triste acordar, aos 8, ou 9 anos, e encontrar minha mãe trancada na sala chorando sozinha, ou ir no banheiro e ver o vazo cheio de sangue, resto das últimas menstruações. Todo esse clima criava um peso muito grande no ar. Enfim, tinha que tomar café e ir para a escola, essa era a realidade.







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