CAPITULO 09 – CAOS E PÓS MODERNIDADE - LAROYÊ EXÚ . Biografia de Manuel Romário Saldanha Neto.

 

CAPITULO 09 – CAOS E PÓS MODERNIDADE - LAROYÊ EXÚ . Biografia de Manuel Romário Saldanha Neto.




A cena cultural, no Recife, nos anos 90, foi marcada pelo Movimento Mangue, que me chamou muita atenção, devido à profundidade estética e política do mesmo. Este movimento cultural me gerou o prêmio Josué de Castro dado pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1996, foi tema do meu mestrado, na mesma universidade em 2000 e uma exposição plástica individual.

O movimento mangue, ou “manguebeat” foi um complexo movimento de contracultura brasileiro, que surgiu a partir de 1991, na cidade de Recife, sendo motivado pela estagnação do cenário cultural pernambucano e pela pobreza da cidade. Seu objetivo era denunciar os problemas de Recife e propôs uma renovação cultural local, regional e global.


Exposição plástica individual Chaos & Post Modernity, Instituto de Arte Contemporânea (IAC), Recife, 1988.


Exposição plástica individual Chaos & Post Modernity, Instituto de Arte Contemporânea (IAC), Recife, 1988

Academicamente retomei meus estudos e pesquisas em 1995 quando fui aprovado em vestibular para o Curso de Pedagogia, na Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, em 1995.


No centro de Educação da UFPE, de 1995 a 1997, trabalhei como pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), com o professor Paulo Freire, que era o mentor intelectual de um projeto pedagógico voltado para a alfabetização de jovens e adultos, sobre a coordenação do professor Dr. Ioão Francisco de Souza.



UFPE, professor Paulo Freire, projeto pedagógico voltado para a alfabetização de jovens e adultos, coordenação do professor Dr. Ioão Francisco de Souza, 1995.

Como trabalhava no Serviço Público Federal, pedi transferência para o Recife, em 1993, mantendo meu vínculo trabalhista e minha fonte de renda.

O mais difícil era compatibilizar o horário da escola com o trabalho. Tive que procurar um local no Sistema Único de Saúde, SUS, que trabalhasse meio horário, em sendo assim, fui trabalhar num posto de saúde e depois num hospital.

Os contextos políticos, econômicos e socais do abril, eram de consolidação da democracia, depois do fim da ditadura militar. Politicamente, os anos 90 foram de democracia expansiva. redemocratização, que foi consolidado em 89 com as primeiras eleições diretas para a Presidência da República em mais de três décadas.

Na economia, a crise brasileira dos anos 80 encerrou o ciclo desenvolvimentista, que prevaleceu no país por mais de 30 anos. A dívida externa, a crise econômica herdada dos militares e a associação com o FMI, teve um importante papel no agravamento da situação.


Na economia brasileira, nos anos 90 iniciou-se a reforma neo liberal do Estado e as privatizações com liberalização comercial e financeira, que seria ampliada e consolidada com o Plano Real.


No campo dos direitos sociais e da classe trabalhadora, houve muitas perdas. A tentativa de implementar uma política social universal e redistributiva, da constituição de 1988, foi minada por uma política macroeconômica que pagava altas taxas de juros para os detentores de títulos da dívida pública, dívida externa e buscava incessantemente do controle dos gastos públicos através dos ajustes fiscais


Nos anos 90, as principais marcas positivas do governo neo liberal de Fernando Henrique Cardos,(FHC), foram a continuidade do Plano Real, iniciado por Itamar Franco; o fim da hiperinflação, e a criação de programas sociais pioneiros, como o bolsa-escola, o vale-gás e o bolsa-alimentação.

Nova moeda, o Real, 1994.

Os anos 90 foram anos de avanço para a comunidade LGBT+. A Organização Mundial de Saúde, em 1990 retira a homossexualidade das classificação das doenças, Os gays e lésbicas passam a aparecer mais na mídia.

Celebridades que "saem do armário" como: K.D. Lang, Elton John, Melissa Etheridge, Ellen De Generes e George Michael. O presidente Bill Clinton tem um ponto de vista pró-direitos homossexuais.


Com o fim da censura no final da ditadura militar, as telenovelas passam a abordar temas mais sérios com maior frequência, como a homossexualidade (em A Próxima Vítima) (1995) e Torre de Babel (1998), que são discutidos com mais naturalidade e melhor aceitos pela sociedade no geral.


Por outro lado, em 1996 tivemos o auge da Aids, no Brasil. Em 1990, morre o rockeiro Cazuza, ídolo jovem. Freddie Mercury, vocalista do grupo Queen, morre em decorrência da AIDS, no ano de 1991. Em 1996 Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana, morre em decorrência da AIDS, causando o fim da banda no mesmo ano.

Em, 1996, vítima de depressão e alcoolismo morre, em Belo Horizonte, minha irmã Ana. Como sou sensitivo, previ sua morte, e a partir dela, iniciei um longo ciclo de depressões com internação em clínicas psiquiátricas para repouso e desintoxicação.


Bairro de Candeias, grande Recife,  com Janice Albuquerque, 1997. Janice foi uma grande companheira em tempos de terríveis depressões.


Bairro de Candeias, grande Recife,  com Lara Albuquerque, filha  Janice Albuquerque, 1997.


Lourenço Ypiranga Neto, amigo de artes e bebedeiras, (Crush) Centro de Artes e Comunicação da UFPE, Recife, 1997.


Também, um amigo gay meu, de trabalho, com tendências suicidas foi assassinado, o que acabou por me desestabilizar emocionalmente por completo.

Em , 1996, com ajuda de meu irmão Antônio, fui internado em uma clínica psiquiátrica em Goiânia, Goiás, para tratamento da depressão e alcoolismo.


Infelizmente o médico não diagnosticou como depressão e alcoolismo, como achava que não tinha problemas com bebidas, voltei à beber. Por esse ano de 1996, fiz vestibular para Educação Artística na UFPE, e passei.


Durante, este período de depressão, fiz uma consulta com leitura de “Aura da mão”, os resultados foram alarmantes.


Leitura de Aura, emocional = cuidar com urgência, Recife, 1997.



Leitura de Aura, feita em 1997, a única notícia boa é que eu havia sido diagnosticado como médium paranormal, sensitivo.

Enquanto no meio espírita utiliza-se a palavra médium para designar o indivíduo que serve de instrumento de comunicação entre os espíritos encarnados e espíritos desencarnados, outras doutrinas e correntes filosóficas utilizam termos como clarividente, intuitivo, sensitivo.


No entanto, o significado desses termos pode ser considerado por alguns com o mesmo significado, porém cada um pode ser distinguido como uma faculdade mediúnica diferente.


Paranormal é um termo empregado para descrever as proposições de uma grande variedade de fenômenos cujas causas ou mecanismos não podem ser explicados pelo atual estágio do conhecimento científico e que são atribuídos à forças desconhecidas, em especial, forças psíquicas


Sensitivo seria aquele com capacidade de sentir a cadeia dos acontecimentos e assim prevê-los, bem como o intuitivo que também se adequaria a esta faculdade.


Durante o curso de Educação Artística, os fatos mais relevante foram ganhar o premio Josué de Castro, da Universidade Federal de Pernambuco, e uma viagem que fiz à convite de um alemão, Uwe Helge Kuhmey, para visitar a X exposição Documenta, na cidade de Kassel, na Alemanha.

Catálogo das exposições de artes internacionais, Alemanha e Itália, 1997

Aproveitando que estava na Europa, fui à Bienal de Veneza, de 97, na Itália, depois fui à Paris e Londres, retornando à Frankfurt, de onde voltaria para o Brasil.


Frankfurt, Alemanha, 1977.



Chegando à Paris, recebo a notícia da trágica morte da princesa Diana, lady Di, 1997.

Como ainda acreditava que não tinha dependência química do a álcool, continuava a beber e ter ressacas cada dia piores. Além do uso abusivo do álcool, tranquilizantes e anti depressivos, uma ideia fixa em me matar habitava meus pensamentos.

Como estávamos no augue da epidemia de HIV\AIDS, pensei que seria bom pegar essa doença mortífera e acabar com o tormento de viver. Então desprezando todas as recomendações médicas, me expus à doença.


1997, depois de uma diarreia que não cessava, fui diagnosticado como portador do vírus HIV, causador da AIDS. De forma nenhuma essa noticia me abalou, pois fazia parte de meus planos, agora era só esperar a morte chegar, com o alívio de todos meus sofrimentos.


Nesta época que contraí o virus HIV, o cocktail anti AIDS, havia sido descoberto, frustrando todas minhas pretensões de morrer. Minha médica, ria muito da mim, observando que eu havia contraído dos problemas: não morri, e contraí uma doença incurável. A vara envergou, mas não quebrou.


Fechando os trágicos anos 90, a Pró Reitoria de Extensão da Universidade aprovou um projeto de Revitalização Social, que eu havia elaborado, para crianças pobres e carentes que esmolavam no Campus da UFPE.


Projeto de Revitalização Social Meninos de Campus, UFPE, 1997.

O Projeto Meninos do Campus da UFPE nasceu, em abril de 1999, da constatação de um quadro problemático, no caso, a questão social da infância e adolescência abandonada ou, na melhor das situações, trabalhadora, um fenômeno social brasileiro e mundial.


Detectamos que em torno dos edifícios do Campus da UFPE reunia-se um grande número de jovens e crianças carentes, às vezes se dedicando ao trabalho (lavando carros, vendendo cocadas etc), outras vezes, vagando, pedindo esmolas, ou mesmo praticando, ou aprendendo a praticar pequenos delitos, enfim, tentando viver.


Existindo no Centro de Artes e Comunicação da UFPE um Curso de Licenciatura em Educação Artística objetivando a formação de educadores, sentimo-nos na obrigação de nos posicionarmos diante desse quadro.


Foi dessa maneira que nasceu o projeto “Meninos do Campus”, a partir de uma ideia minha em conversas com a professora Rosa Vasconcellos.


Portador do vírus HIV, em processo de depressão, fazendo uso abusivo de álcool, foi assim que me matriculei numa seleção para mestrado, no Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco.


Tendo sido aprovado o meu projeto sobre o Movimento Mangue do Recife, no mestrado, e tendo concluído minha licenciatura em Arte Educação, tive que abandonar o projeto Meninos do Campus, após um ano de excelente produção pedagógica. Assim se encerram os trágicos anos 90, em minha vida.


6 – Laroyê Exú: 2000 - 2009.



Orixá, Exú, ou Esú, mensageiro de todos orixás ou forças da natureza.


Os anos que vão de 2000 a 2009, compreendem o que chamamos de década de 2000. Em 2000, concluí minha graduação superior em Educação Artística. Finalmente, depois de toda uma vida, estava realizando um sonho de infância e adolescência, tantas vezes boicotado por minha mãe e pela sociedade. Também nesse período, junto ao Professor José Antônio Rufino, com o Movimento Negro Unificado de Pernambuco, Ministério Publico de Pernambuco, Universidade (UFPE), Prefeitura do Recife e Governo do Estado de Pernambuco, iniciamos um trabalho políticos e de Direitos Humanos junto aos Terreiros e Comunidades do Recife.


Ação Política no terreiro Centro Ilê Aché Oxalafan, com Marta Almeida, Movimento Negro Unificado, e Professor Rufino, Paulista-PE, 2018.




CEPIR\PE - UNICAP- Curso de especialização em yorubá para sacerdotes de matriz africana e índígena, Jorge Arruda, Secretário de Igualdade Racial; e Professor e Babalorixá Luís de Agodô, Recife, 2014.


Na minha vida, exercer a arte sempre foi algo muito difícil, porque a sociedade, como um todo, não é favorável a esse campo de trabalho. Desde a República de Platão, que os artistas são condenados e chamados de elementos desestabilizadores da sociedade.


No meu caso, o preconceito maior vinha das atividades que queria desenvolver socialmente. Artista, cabeleireiro, maquilador, costureiro, são consideradas atividades de bichas, homossexuais, viados, ou seja profissões menores ligadas à pessoas inferiores e subalternas.


Para seguir os padrões superiores ou medianos sociais, tive, fui obrigado a trabalhar no serviço público e fazer uma carreira universitária, compatível, com os valores machistas da sociedade.


Para desgosto de minha mãe, não era um macho padrão, reprodutor. Era um gay, uma coisa a se lamentar.

Foi preciso que ela morresse, para que eu nascesse. Quando finalmente minha mãe morreu, pensei, agora posso fazer o que quero mais sossegado. Foi nesse momento que me dirigi para as artes, em 1996, ou seja com 36 anos de atraso.


Professor de Artes, Recife, 1999.


Pedagogicamente, os talentos se reconhecem na infância, e quando são reconhecidos, as crianças são estimuladas a expandirem e desenvolverem suas capacidades. Daí, nascem os grandes artistas, os grandes cientistas, os grandes atletas. Não foi o meu caso, nem das pessoas que nascem sobre o signo da diversidade, homossexuais, negros, mulheres e minorias.


Pessoas quando são detectadas, já na infância, que estão no espectro da diversidade, LGBT+ ou negritude, são logo sufocadas e reprimidas. Então a sociedade prepara para nós um sub local, onde seremos mortos, caçados ou teremos uma sub vida, com poucas possibilidades de desenvolvimento. O mundo conspira contra nós.


Os bons, os vencedores devem ser os brancos, os machos, os cristão e capitalistas, quanto ao resto, estão no mundo para servi-los.


Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Teoria da Arte, 1997.

Então, devido a todo tipo de preconceito, cheguei tardiamente, às artes. Até mesmo, nos anos 90, arte era coisa de bicha e viado. Semestre à semestre fui trabalhando no hospital e estudando arte na universidade (UFPE), tentando equilibrar meu horário, com o horário da escola, que não oferecia curso noturno, para trabalhadores.


Minha entrada no mestrado da UFPE, se deu por um lance de sorte. Havia ganho o prêmio Josué de Castro, e um dos avaliadores da banca do concurso foi quem me deu o referido prêmio.

Ao entrar na sala de avaliação, na frente de cinco doutores em literatura, o professor Dr. Sébastien Joachim, ao ver meu nome perguntou se eu havia ganhado o prêmio Josué de Castro, disse que sim, e ele respondeu, foi eu que te premiei.

A primeira porta para o mestrado estava aberta. Vamos à segunda porta, como já sabemos a universidade é um espaço de elite reservado às classes brancas e ricas. O professor Sébastien Joachim era negro e sabia do racismo institucional da universidade, então ele estava na banca, também dando oportunidade aos candidatos negros e negras.


Foi assim que entrei no mestrado em teoria da literatura da UFPE, por ter ganho um prêmio literário e por ser negro. Como já havia feito um curso de filosofia e cursado mestrado em filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tive muita facilidade no curso de mestrado em letras.


Então lentamente, estava finalmente seguindo minha carreira de artista. Havia estudado estética no mestrado da UFMG, havia me graduado em Educação Artística e agora cursava mestrado novamente em Artes, em teoria da literatura.


Mestrado Artes, teoria da literatura, UFPE, 2000.


Havia vindo para o Recife, para escapar da depressão decorrente da morte de minha mãe. No Recife, recebi a noticia da morte de meu pai e da minha irmã. Ainda que avançando e progredindo na carreira artística, meu estado emocional psicológico estava péssimo.


Já na graduação em Educação Artística já tinha tido internações por depressão decorrente de alcoolismo. Ao entrar no mestrado, tive uma grande depressão e tive que me internar. Tomei a decisão de abandonar o mestrado, abandonar tudo, me abandonar, me matar.


Um amigo do mestrado, Rufino, sabendo da minha internação, levou meu orientador professor Dr. Sébastien Joachim e vários colegas para me visitarem na clínica de repouso. Confesso que fiquei envergonhado e resolvi, após o tratamento, voltar aos estudos.


Nesta época, no ano de 2002, fiz uma poupança e comprei meu apartamento no centro do Recife. Ao sair da clínica, como não me deram o diagnóstico de alcoolismo, continuava bebendo compulsivamente, e ouvindo as tristes canções de Adriana Calcanhoto.



Adriana Calcanhoto. Perfil, 2001.


Naquela Estação

Adriana Calcanhotto, 2001.


Você entrou no trem

E eu na estação

Vendo um céu fugir

Também não dava mais

Para tentar

Lhe convencer

A não partir...


E agora, tudo bem

Você partiu

Para ver outras paisagens

E o meu coração embora

Finja fazer mil viagens

Fica batendo parado

Naquela estação....


E o meu coração embora

Finja fazer mil viagens

Fica batendo parado

Naquela estação...


Você entrou no trem

E eu na estação

Vendo um céu fugir

Também não dava mais

Para tentar

Lhe convencer

A não partir...


E agora, tudo bem

Você partiu

Para ver outras paisagens

E o meu coração embora

Finja fazer mil viagens

Fica batendo parado

Naquela estação....


E o meu coração embora

Finja fazer mil viagens

Fica batendo parado

Naquela estação

Passei os anos de mestrado em depressão, com uso abusivo de álcool, era como uma bomba relógio programada para explodir. Alternava minhas crises de depressão com tranquilizantes, anti depressivos, festas em saunas gays, e sexo anônimo com garotos de programa. Comprava felicidade, sexo e álcool. Quando estava muito estressado, comprimidos para dormir.



Ao finalizar meu mestrado, com tudo pronto, créditos do histórico escolar e monografia pronta e aprovada, entrei em depressão novamente, uma das mais severas. Meu irmão Antônio veio de Brasília para me internar. Me levou para Belo Horizonte, e lá me internou no Hospital Raul Soares, durante muitos meses.


No Hospital Raul Soares, fui diagnosticado, finalmente como depressivo e alcoólatra. Sabia agora, que deveria me policiar sobre a depressão, e não podia mais beber. No hospital, em Belo Horizonte, disse para meu irmão Antônio que, naquele dia, era o dia da defesa de meu mestrado.


Disse também que não me importava em perder o mestrado, não me importava mais em perder nada. Ele protestou, imediatamente telefonou para a universidade (UFPE), enviou atestados que me garantiram a defesa atrasada do mestrado.

Voltei para o Recife, defendi a tese de mestrado, e fui recomeçar o que restava de minha vida, com uma certeza, era uma pessoa depressiva e não podia beber mais.


Meu irmão me deu um computador, em 2005, fazendo com que eu entrasse no século XXI, na era da informática e da globalização, que era, inclusive, o objeto de estudo de meu mestrado. Meu amigo que morava em Nova Iorque voltava para o Brasil e passou pelo Recife para me visitar, onde brincamos carnaval.


Ju Maquiaveli , Recife, 2005

Os contextos sociais, políticos econômicos e culturais dos anos ou década 2000, foi o que se chama da Revolução da informática e da globalização mundial, o que gerou uma estética bastante eclética, pois todas informações, do mundo todo, de todas épocas se misturavam e apareciam na rede mundial de computadores, a internet.


A infecção de HIV\AIDS encontrava-se sobre controle, com os novos medicamentos. A década de 1980 foi lembrada como a era do otimismo. As pessoas se vestiam com cores e faziam músicas alegres.


Os anos 1990 foram marcados pelo pessimismo. Artistas com letras depressivas e roupas minimalistas. Havia uma descrença com a humanidade. Foi nesse período que contraí o vírus HIV, tentando me matar.


Ataque terrorista às Torres Gêmeas USA, 2001.

Os anos 2000 foram marcados pelo Otimismo, crescimento econômico e surpresa. A década teve início com o ataque terrorista às Torres Gêmeas. O evento revolucionou o mundo e a maneira como as pessoas o encaram. Se dois prédios na principal cidade do mundo podem ser derrubados por dois aviões, o que não é possível acontecer?


Na sociedade houve avanços nos direitos humanos e ambientais, o brasileiro não tolerava mais preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. É claro que os preconceitos ainda existe, mas quando os atos de violência ocorrem são recriminados em rede de sociais de computadores, gerando um impacto local, regional e global.


Revolução informática, anos 2000.


As Redes sociais e a incorporação da internet na vida das pessoas definiu a primeira década de 2000. As redes sociais possibilitam as pessoas a terem uma vida social enorme. O My Space foi lançado em 2003, o Orkut em 2004, o Facebook criado no mesmo ano, o Twitter saiu em 2006 e o Tumblr em 2007.



Revolução informática, smartphones, anos 2000.


Politicamente, no Brasil, a década destacou-se pela eleição do ano de 2002, onde pela primeira vez na história do país um operário chegou à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, sendo reeleito em 2006. Outra eleição marcante dessa década foi a de 2010, quando foi eleita a primeira mulher no país, Dilma Rousseff.

Na economia, após os anos 1990 terem sido marcados pelas privatizações e redução do papel do estado no serviço social, na década de 2000 tem início o enfraquecimento do neoliberalismo, com a retomada dos investimentos públicos nos setores públicos, estratégicos de infraestrutura, o que ocorreu muito na China, sendo esta um dos motores do crescimento global.

Na cultura temos o ecletismo e multiculturalismo, o mundo é oficialmente globalizado. Não existem mais barreiras geográficas. As pessoas fazem músicas, peças de teatro, filmes com várias referências culturais. Tudo graças à internet e à facilidade de mobilidade. Essa junção criou um movimento tribal urbano, no qual aspectos regionais de países diferentes se misturam no ambiente virtual e se transformam o mundo em uma aldeia global.


Em, 2005, 2006, voltei a trabalhar, não mais no hospital, devido à depressão. Fui transferido para a burocracia do Ministério da Saúde, uma área que não gostava, mas que era minha fonte de renda e sobrevivência.


No ano de 2006 fiz um concurso da Prefeitura do Recife para professor de Artes, no ensino fundamental II. Durante minha graduação em Educação Artística, podia escolher entre ser apenas formado em Artes Plásticas (artista), ou se queria também ser professor de Artes.


Entrei no curso de Artes querendo ser artista e sai como professor de artes. Realmente, eu gosto mais de ensinar Artes do que ser propriamente um artista. Na escola, para qual me enviaram, poucos meses no cargo, um menor aluno me ameaçou de morte.


O contexto sócio econômico da escola era voltado para crianças pobres residentes nas favelas ou comunidades próximas. Então um aluno ameaçar um professor de morte, é algo, digamos, normal dentro de uma instituição estressante e de má qualidade para o aluno. Só que entrei em crise de Pânico.

Avisei meu psiquiatra que recomendou à escola a me mudar de turno, como não fizeram, abandonei o trabalho. Isso me rendeu um processo administrativo, por abandono de cargo público e uma tentativa de suicídio.


Como estava sobre tratamento para depressão, em 2006, tomei todas as caixas de tranquilizantes, o que quase me matou. Passados alguns anos, a prefeitura concluiu que eu não havia abandonado o emprego e me pagou os anos que me afastei do cargo de professor de artes.


Em 2009, voltei à dar aulas, em uma nova escola, na periferia do Recife, mais exatamente, no Bairro da Guabiraba, onde encontrei uma diretora homofóbica. Complicada a vida de um gay negro e pobre, sai de um inferno cai dentro de outro.


Dava aulas à noite, para Jovens e adultos, com escolaridade em atraso, eles me adoravam, mas a diretora e uma professora lésbica e homofóbica, me odiavam. Meu destino estava traçado naquela escola: ser perseguido e expulso.

Na escola havia um jovem gay, de matriz africana e do candomblé que era zombado por todos, tomei a defesa dele, o que fez com que a direção me detestasse mais ainda.




Aluno Valter de Logum Edé, diversidade na Escola da Guabiraba, Recife, 2010.

Minha luta pelos direitos humanos dentro da Escola da Guabiraba, me rendeu mais um processo administrativo, no qual me tornei culpado, por ter defendido o aluno gay, por isso, quase fui demitido; no final , fui apenas transferido para outra escola.


Nesta época minhas depressões ficaram mais sobre controle. Em 2008 . iniciei o processo de minha aposentadoria do serviço público federal por motivos de saúde e também porque havia quebrado a perna.


Em 2010, comprei um carro, para trabalhar, já que a escola era muito distante. Enfim, minha vida parecia começar a melhorar de fato.


Automóvel, Gol, G4, 2010


Entrei para a Academia para melhorar minha saúde e corpo, estava querendo fazer uma reforma geral, em minha vida, após longo período de depressão e internações psiquiátricas.


Recife, 2010.


Longe da bebidas alcoólicas, depressão sobre controle, trabalhando como professor de artes, na academia de ginástica, e em processo de aposentadoria, estava vivendo uma fase boa de minha vida.


Recife, 2010.

Para fechar com chave de ouro, esta fase de recuperação existencial fiz uma viagem à Berlim, na Alemanha, em 2009.


Berlim, 2009.

Viajei para Berlim, ouvindo Michael Jackson, no avião, No dia 25 de Junho de 2009, chegando à Alemanha, fico sabendo da trágica morte do cantor .






















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